Cinco instituições de ensino superior que oferecem cursos de medicina em Goiás receberam as piores avaliações do Ministério da Educação (MEC) e devem enfrentar sançõ€s administrativas, como redução de vagas e restrições ao acesso a programas federais de financiamento estudantil. A lista foi divulgada em coletiva realizada pelo MEC nesta segunda-feira (19) e acendeu um alerta sobre a qualidade da formação médica no estado.
A avaliação considera notas que vão de 1 a 5 — sendo 5 o melhor desempenho e 1 o pior. Em Goiás, nenhuma faculdade de medicina alcançou a nota máxima. O melhor resultado foi 4. Já as notas 1 e 2, classificadas como inadequadas pelo MEC, indicam risco à qualidade da formação profissional.
Segundo o ministério, o desempenho reflete um cenário preocupante, já que os estudantes avaliados hoje serão os médicos responsáveis por atender a população nos próximos anos.
Quem teve as piores notas
Entre as instituições com nota 1, a mais baixa da avaliação, estão:
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Centro Universitário de Goiatuba (Unicerrado)
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Centro Universitário Alfredo Nasser, em Aparecida de Goiânia
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Universidade de Rio Verde (UniRV), campus de Goianésia
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Universidade de Rio Verde (UniRV), campus de Formosa
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Faculdade Zarns, de Itumbiara
Todas são instituições privadas.
Já com nota 2, também considerada insatisfatória, aparecem:
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Universidade de Rio Verde (UniRV), campus de Aparecida de Goiânia
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Universidade de Rio Verde (UniRV)
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Faculdade Morgana Potrich, de Mineiros
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Centro Universitário de Mineiros (Unifimes), campus de Trindade
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Centro Universitário de Mineiros (Unifimes), campus de Mineiros
O que é avaliado
A nota final leva em conta um conjunto de fatores, como a qualificação do corpo docente, a estrutura física das universidades, a qualidade dos estágios supervisionados e o desempenho dos alunos em provas aplicadas pelo MEC. Para os ministérios da Educação e da Saúde, o resultado aponta um nível preocup@nte de preparo técnico e acadêmico.
Quais são as penal!zaçõ€s
As sançõ€s variam conforme a instituição e o órgão responsável pela fiscalização. Entre as medidas anunciadas estão:
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UniFan: proibida de abrir novas vagas e com participação suspensa no Fies e em outros programas federais
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Faculdade Zarns (Itumbiara): redução de até 50% no número de vagas
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Unicerrado (Goiatuba): redução de 50% das vagas
No caso da UniRV, nos campi de Goianésia e Formosa, não haverá penalização direta pelo MEC. Isso porque essas unidades são fiscalizadas pelo Conselho Estadual de Educação, e não pelo governo federal.
Fiscalização estadual e auditoria
O Conselho Estadual de Educação de Goiás já vinha recebendo denúncias de estudantes sobre a precariedade desses cursos. Em 2023, o governo estadual contratou uma auditoria externa, conduzida por dois médicos do Paraná especializados na avaliação de faculdades de medicina.
O diagnóstico foi entregue ao conselho e às universidades, que receberam prazo para corrigir as falhas. Caso as irregularidades não sejam sanadas, as sanções podem ser semelhantes às do MEC: redução de vagas, limitação de matrículas e impedimento de acesso a financiamentos públicos.
Alerta para a formação médica
Independentemente de a fiscalização ser federal ou estadual, o consenso entre médicos já formados e profissionais experientes é de grande preocupação com a qualidade do ensino médico oferecido por parte dessas instituições. Para especialistas, a fragilidade na formação não afeta apenas os estudantes, mas pode ter impacto direto na segurança e na qualidade do atendimento à população.
O MEC não detalhou prazos para reavaliação das instituições nem possíveis revisões das penalidades aplicadas.
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