Cineastra de Hollywood troca Los Angeles por a Goiânia e aposta no potencial cultural de Goiás

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O roteirista encontrou Larissa, goiana, em Los Angeles e, poucos anos depois, se casaram | Foto: Arquivo Pessoal                                                                                                                                                                           Casado com uma goianiense e morando em Goiânia há cerca de um ano, o cineasta norte-americano Adam G. Simon afirma ter encontrado em Goiás algo que nunca viveu em Los Angeles: a sensação de estar verdadeiramente em casa. Com carreira consolidada em Hollywood, ele escolheu a capital goiana como novo endereço e também como cenário para futuros projetos.

Ao chegar à cidade, Simon ouviu repetidas vezes a pergunta: “O que você está fazendo aqui?”. Para muitos, era difícil entender por que um profissional da indústria cinematográfica dos Estados Unidos deixaria um dos maiores centros do entretenimento para viver no Centro-Oeste brasileiro.

A resposta, segundo ele, está na qualidade de vida e na família. Roteirista, produtor e diretor de filmes como “Man Down” e “Point Blank” (“Queima de Arquivo”, no Brasil), da Netflix, Simon conheceu a atriz e modelo goiana Larissa Andrade em Los Angeles. O relacionamento evoluiu para o casamento e, após o nascimento do filho, veio a decisão sobre onde criar a criança.

Nem Los Angeles nem a Tailândia, onde viveram após a pandemia, foram as escolhidas. Goiânia reuniu segurança, qualidade de vida e senso de comunidade, fatores decisivos para a mudança.

Durante esse período, o cineasta se impressionou com o crescimento da cidade, a força da gastronomia e a hospitalidade dos goianos. Para ele, o ambiente é favorável tanto para viver quanto para investir.

No campo artístico, Simon identificou um grande potencial. Ao frequentar espaços ligados ao cinema, fotografia, música, moda e artes visuais, percebeu que muitos talentos deixam Goiás em busca de oportunidades em outros estados.

Convencido de que o principal desafio é a falta de conexões internacionais, decidiu abrir uma produtora em Goiânia para aproximar profissionais brasileiros do mercado global e fortalecer o audiovisual goiano.

“Goiânia já é conhecida pelo agronegócio e pela gastronomia. O próximo passo natural é a arte”, afirma o cineasta, que pretende transformar sua nova casa em uma ponte entre Hollywood e o Brasil.

UNDER: um filme entre a dor e a transformação

O principal projeto de Simon no momento é UNDER, longa-metragem que marcará sua estreia como diretor. O filme acompanha a trajetória de um expatriado que tenta reconstruir a própria vida ao lado da esposa brasileira após perder tudo.

A narrativa, segundo o cineasta, possui fortes elementos autobiográficos.

Após anos trabalhando como roteirista para outros diretores, Simon decidiu assumir o comando criativo da obra por sentir que muitas de suas histórias acabavam transformadas por decisões comerciais dos estúdios. “Queria contar algo mais humano e mais verdadeiro”, resume.

O filme será rodado entre Rio de Janeiro, Goiânia e Chapada dos Veadeiros. As gravações devem começar nos próximos meses.

Entre os nomes discutidos para o elenco estão os atores norte-americanos James Badge Dale e LaKeith Stanfield, além de diversos artistas brasileiros.

A Chapada como personagem

Se o Rio oferece estrutura de produção consolidada, a Chapada dos Veadeiros representa algo diferente. Simon descreve a região como um dos lugares mais impactantes que já conheceu em suas viagens pelo mundo.

A experiência diante das cachoeiras e paisagens do cerrado, afirma, influenciou diretamente a construção estética de UNDER. “Existe algo maior ali. Algo quase divino”, diz.

O cineasta acredita que Goiás possui cenários capazes de competir visualmente com qualquer destino internacional e que ainda permanecem pouco explorados pelo mercado audiovisual.

Um projeto para além do cinema

Os planos de Simon não se limitam à produção de filmes. A proposta inclui trazer para Goiânia diretores, fotógrafos, artistas visuais, produtores e profissionais reconhecidos internacionalmente para eventos, encontros e atividades de formação.

Entre os convidados previstos estão nomes ligados ao cinema, à fotografia e às artes visuais norte-americanas. Mas existe uma regra: todo profissional internacional deverá dividir espaço com talentos locais.

A intenção, segundo ele, é criar oportunidades de intercâmbio e visibilidade para artistas goianos. “Não queremos substituir ninguém. Queremos criar oportunidades”, afirma.

“Vou morrer em Goiânia”

Apesar de ter construído carreira em Hollywood e trabalhado ao lado de alguns dos maiores nomes do cinema mundial, Simon fala sobre Goiânia com um tom incomum para alguém que chegou há pouco tempo.

Ao longo da conversa, a cidade aparece menos como escolha estratégica e mais como pertencimento. Ele atribui esse sentimento à família construída ao lado de Larissa, às relações que desenvolveu na capital e à recepção que recebeu dos goianos. “O Brasil é minha casa. As pessoas daqui me acolheram”, diz.

No fim da entrevista, a declaração surge sem hesitação: “Vou morrer em Goiânia, cem por cento. Eu amo este lugar. Quero ajudar a desenvolvê-lo. Quero mostrar ao mundo o quão extraordinárias são as pessoas daqui.”                          Parceiro;

Telefone: (62) 3331-3556.
Endereço: Av. São Paulo – Centro, em frente ao cemitério.
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