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Cavalhadas de Pirenópolis 2025 virou palco para perseguição política e autoritarismo

Fato no mínimo curioso aconteceu no encerramento das Cavalhadas 2025, em Pirenópolis. Como é de conhecimento de todos, os personagens que compõem essa festa, representados pelos Cavaleiros Mouros e Cristãos, mascarados, pastorinhas e outros, são levados a diferentes eventos, sejam eles relacionados à cultura goiana ou à política e também cartazes, faixas e paineis homenageando esse ou aquele candidato, e até o último domingo ninguém havia questionado, mas esse ano, uma cena está chamando a atenção de toda população.  É que um dos cavaleiros, Paulo Geovane de Oliveira, conhecido por todos como Paulinho, pertencente á comitiva dos cavaleiros mouros há 27 anos, presenteou a ex- vereadora Ynaê Siqueira Curado(que nas últimas eleições foi candidata de oposição ao prefeito reeleito), usou uma argolinha para homenagear Ynaê durante As Cavalhadas e se referiu a ela como “futura prefeita”.

Após dois dias do encerramento da festa, já nesta quinta-feira, o Instituto Cavalhadas de Pirenópolis,  emitiu uma nota oficial, expulsando o tal cavaleiro. Na página do Intagram @cavalhadaspirenopolisofic na nota publicada, eles alegam, que ‘não foi por ele entregar a argolinha a uma determinada pessoa, problema é pegar microfone e fazer política, campo de Cavalhadas não é palanque, é Cavalhadas não tem lado político, nós precisamos do apoio de todos, e não foi a primeira vez que isso acontece. Além desse episódio aconteceram várias outras coisas internas com o grupo, que desagradaram a todos, falta de respeito com pessoas que ofereceram as farofadas e também com próprio grupo, juntando tudo isso aconteceu que ele foi convidado a se retirar’, disseram, afirmando que a expulsão foi uma decisão unânime, e que se deu não pelo presente dado, mas sim pela “manifestação política”. “Campo de Cavalhadam não é palanque”.

Por outro lado Paulinho e moradores questionam sobre a unanimidade da decisão, e afirma que tais atos desagradaram pessoas poderosas — e isso já foi suficiente. O ex-cavaleiro ainda lamenta que tenha chegado ao fim de sua jornada na tradição das Cavalhadas: “foram 27 anos, não 27 dias. É a história de uma vida”.

A equipe do evento limitou os comentários na postagem oficial, mas as manifestações do público podem ser vistas em outros locais: “absurdo expulsar um caveleiro por exercer sua liberdade de expressão”, diz internauta em um post relatando o ocorrido.                                                Ontem (13), a ex-vereadora e advogada Ynaê Siqueira Curado emitiu uma Nota de Repúdio. Veja;                          Carta de Repúdio à Expulsão do Cavaleiro Paulinho das Cavalhadas de Pirenópolis

Com tristeza e indignação, venho a público repudiar a injusta expulsão do cavaleiro Paulinho das Cavalhadas de Pirenópolis, simplesmente por ter me homenageado de forma respeitosa e legítima.
Paulinho é um cavaleiro dedicado, apaixonado pela festa e respeitado por toda a comunidade. Ele não cometeu nenhum crime, não desrespeitou ninguém, não feriu a tradição. Apenas expressou apoio a mim — uma mulher pública, ex-mandatária, que segue lutando pelo povo e que também tem raízes, história e amor profundo por Pirenópolis.
Expulsá-lo por isso é um ato autoritário, triste e pequeno. É uma tentativa de silenciar uma opinião e impedir que as pessoas se expressem livremente.
As Cavalhadas não pertencem a um grupo, elas são do povo. São feitas de sentimento, fé e da história de cada pirenopolino que sonha, desde criança, em vestir uma fantasia, montar um cavalo e viver aquele momento mágico. Retirar Paulinho desse sonho, por um gesto de carinho, é trair a essência mais bonita da festa.
Deixo aqui minha total solidariedade ao Paulinho, à sua família e a todos que se sentiram ofendidos por essa atitude injusta. A cultura deve acolher, jamais excluir. Que este episódio nos ajude a abrir os olhos e defender o que é justo.
E mais: como pirenopolina, faço um chamado aos demais cavaleiros que também se manifestaram politicamente através das cavalhadas — que tenham a coerência de se retirar da festa, já que expulsaram o Paulinho.
Comecem pelos Reis, que participaram de atos partidários usando a roupa de cavaleiro, um gesto de manifestação política explícita. Por que dois pesos e duas medidas?
Estarei ao lado do Paulinho para exercer a justiça e, vou lutar para reverter essa situação. Estarei ao lado de cada pessoa que for injustiçada ou perseguida por se manifestar ou expressar sua opinião.
Eu pago todos os dias o preço da vida pública — e pago com coragem. Mas não aceitarei que inocentes sejam punidos por acreditarem em mim e em dias melhores. Não se cala um povo que tem voz. E Paulinho tem voz. E tem minha voz com ele.
Com respeito e coragem, Ynaê.
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