A presidente do Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pirenópolis, Fernanda Pina Pereira chama a atenção para a campanha mundial do Outubro Ros, amplamente conhecida por reforçar a importância do diagnóstico precoce e da prevenção do câncer de mama e de colo de útero. “No entanto, quando lançamos esse olhar para o campo, a realidade ganha contornos muito mais complexos. Para as mulheres trabalhadoras rurais, a busca pelo direito básico à saúde é atravessada por uma rotina de desafios severos, isolamento geográfico e desigualdade social”, disse ela, acrescentando que coincidentemente, neste mesmo mês, celebra-se o Dia Internacional da Mulher Rural (15 de outubro), uma data que serve tanto para homenagear sua força quanto para denunciar as vulnerabilidades que ainda as cercam.
A Distância que Separa o Campo do Cuidado
Fernanda salienta que o primeiro e mais evidente obstáculo enfrentado pela trabalhadora do campo é a barreira geográfica. “Enquanto as estratégias de conscientização e os exames de mamografia estão concentrados majoritariamente nos centros urbanos, a infraestrutura nas áreas rurais costuma ser escassa ou inexistente”, alertou.
Para realizar uma simples mamografia de rotina, muitas agricultoras precisam:
- Enfrentar longas horas de deslocamento em estradas precárias.
- Arcar com custos de transporte que pesam no orçamento familiar.
- Depender de agendamentos demorados no Sistema Único de Saúde (SUS) ou de mutirões móveis que nem sempre cobrem todas as localidades de forma regular.
A Tripla Jornada e a Sobrecarga Invisível
A presidente do Sindicato Rural, frisa que dinâmica do trabalho rural impõe uma rotina física exaustiva. “A mulher do campo acumula a lida direta na lavoura ou na pecuária com os afazeres domésticos e o cuidado integral com a família. Essa tripla jornada invisível consome o tempo e a energia dessas trabalhadoras, fazendo com que o autocuidado e os exames preventivos sejam frequentemente colocados em segundo plano. A dor ou o cansaço extremo são rotineiramente normalizados e silenciados em nome da subsistência da propriedade e do sustento familiar”, explicou Fernanda.
Desinformação e Falta de Assistência Especializada
A desinformação também atua como um fator de isolamento. O acesso limitado à internet de qualidade e a falta de agentes de saúde comunitários que compreendam a realidade rural impedem que os sinais de alerta do corpo sejam identificados precocemente. Quando a doença é finalmente diagnosticada, ela muitas vezes já se encontra em estágios avançados, reduzindo drasticamente as chances de cura que poderiam superar 90% caso fossem detectadas no início.
“Além da saúde física, a saúde mental dessas trabalhadoras é gravemente afetada. O peso de manter a produtividade do agronegócio familiar, somado à falta de suporte médico e psicológico, gera um cenário de estresse crônico e desamparo emocional”, revelou.
“É urgente que as políticas de saúde pública descentralizem o atendimento, garantindo que unidades móveis de mamografia, exames de Papanicolau e atendimentos ginecológicos regulares cheguem efetivamente às comunidades do interior. A verdadeira prevenção só acontece quando o acesso é democrático. Cuidar da saúde da trabalhadora rural é reconhecer o valor de quem alimenta o país e garantir que ela tenha o direito de viver com dignidade, saúde e amparo”, finalizou Fernanda.
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