O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), publicou o primeiro edital voltado exclusivamente para o fomento a manifestações da cultura negra, quilombola e de periferia. Com investimento total de R$ 1 milhão, a iniciativa vai contemplar 20 projetos culturais, distribuídos em três categorias de fomento, com o propósito de fortalecer as expressões que traduzem a diversidade e a identidade do povo goiano.
Denominado Edital nº 08/2025 “Tradição e Território: Goiás de Todos Nós”, o certame foi publicado no suplemento do Diário Oficial do Estado na sexta-feira (31/10). As inscrições estarão abertas de 3 a 14 de novembro, pela Plataforma Baru (sistemabaru.cultura.go.gov.br), mediante envio da documentação exigida para cada categoria.
Eixos de Fomento
Cultura Quilombola: voltado a ações que preservem a memória, os saberes e as tradições das comunidades quilombolas, reconhecendo seus modos de vida como patrimônio imaterial goiano. Serão apoiados quatro projetos, no valor de R$ 50 mil cada, voltados à salvaguarda de acervos, práticas culturais e oficinas conduzidas por mestres e mestras locais.
Cultura das Periferias: incentiva a produção artística e cultural das periferias urbanas, promovendo o protagonismo e a criatividade dos territórios periféricos. A categoria apoiará seis iniciativas de artes urbanas, formação e eventos culturais, também com R$ 50 mil por projeto.
Cultura Afro-Brasileira: destinada ao fortalecimento das expressões afro-brasileiras em diferentes linguagens como música, dança, teatro, literatura e audiovisual. Nessa categoria, poderão concorrer apenas pessoas negras (pretas e pardas). Serão selecionados dez projetos, cada um com investimento de R$ 50 mil.
A cultura negra em Pirenópolis é uma força viva, que permeia a identidade da cidade, desde sua fundação histórica até as vibrantes manifestações culturais contemporâneas.
O edital completo está disponível no portal do Fundo de Arte e Cultura (FAC): goias.gov.br/cultura/fundo-de-arte-e-cultura.
- Fundação da Cidade: A construção inicial de Pirenópolis e suas famosas ruas de pedra foi realizada por mão de obra de pessoas negras escravizadas e indígenas durante o ciclo do ouro. O sofrimento e a resistência desse período estão enraizados na formação da cidade. O próprio nome do Rio das Almas, que margeia a cidade, tem uma versão popular que remete à promessa de missas para as almas, conectada a essa história.
- Igreja do Rosário dos Pretos: Um símbolo importante dessa história foi a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída pelos próprios escravizados. Embora tenha sido demolida em 1944, seu legado e a história da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, ativa desde o século XVIII, permanecem vivos na memória e na cultura local.
- Festa do Divino Espírito Santo e Cavalhadas: As congadas, catiras e outras manifestações presentes durante a Festa do Divino incorporam elementos das culturas afro-brasileiras e cristãs, refletindo a miscigenação cultural. As Cavalhadas, com seus mascarados, também têm interpretações que se conectam a essa ancestralidade.
- Expressões Contemporâneas: Pirenópolis sedia eventos e projetos que celebram a cultura negra, como o projeto Ewa Baobá Negra, que busca reavivar a ancestralidade afro-brasileira, e o evento anual IPADÊ – Encontro Cerratense de Culturas Populares, que valoriza o maracatu e outras tradições populares afro-brasileiras e latino-americanas. A produtora cultural local Gil Tobias tem um papel ativo na organização desses eventos, como o “Negritude – Temos Consciência”.
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