Brasileiras estão viajando sozinhas cada vez mais — e maioria prefere explorar o próprio país

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Viajar sozinha deixou de ser exceção entre brasileiras. Pelo menos é o que aponta um levantamento nacional divulgado nesta quinta-feira (5) pelo Ministério do Turismo, indicando que 41,8% das mulheres já realizaram algum tipo de viagem solo.

Entre aquelas que já embarcaram nessa experiência, 35,9% afirmam ter viajado sozinhas exclusivamente dentro do Brasil, enquanto apenas 4,6% nunca fizeram uma viagem solo em território nacional.

Os dados integram o “Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas”, publicação de 72 páginas lançada pela pasta com orientações práticas, dados de pesquisa e reflexões sobre segurança, autonomia e mobilidade feminina no turismo.

O estudo que embasa o material foi realizado entre agosto e setembro de 2025, com 2.712 mulheres de todas as regiões do país, que relataram experiências, motivações, receios e estratégias utilizadas ao viajar.

Segundo o Ministério do Turismo, o guia também busca ampliar a compreensão sobre os diferentes perfis de viajantes, incluindo mulheres maduras, mães que viajam com filhos, profissionais em deslocamento a trabalho e turistas interessadas em nichos como ecoturismo, gastronomia e bem-estar.

Segurança e autonomia aparecem como fatores decisivos

Embora o lazer seja o principal motivo apontado pelas entrevistadas, a busca por independência e liberdade aparece como elemento central para 65,1% das mulheres que optam por viajar sozinhas.

Entre os fatores considerados na escolha do destino, segurança e liberdade de circulação aparecem à frente de aspectos como preço e conforto.

A pesquisa mostra ainda que:

34,6% das viajantes solo têm entre 35 e 44 anos, faixa etária predominante;

22,1% têm entre 45 e 54 anos;

21,7% estão entre 25 e 34 anos.

A maioria possui renda mensal entre três e dez salários mínimos, e 67,7% não têm filhos. Entre as mães que viajam com crianças, 58,5% afirmaram sentir segurança ao realizar esse tipo de deslocamento.

Publicação integra políticas públicas voltadas às mulheres

Durante o lançamento, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, afirmou que o guia também dialoga com políticas nacionais voltadas à proteção das mulheres.

Segundo ele, o material está alinhado ao Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa federal voltada à prevenção e combate à violência de gênero.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que políticas públicas voltadas às mulheres têm caráter transversal.

“Esse guia reconhece que a mulher tem o direito de circular com liberdade e viajar pelo Brasil e pelo mundo, sem que o medo seja o principal companheiro de viagem”, afirmou.

Pesquisa reuniu especialistas e organismos internacionais

O conteúdo da publicação contou com consultoria de 17 especialistas das áreas de turismo e gênero, além da parceria da UNESCO e da jornalista Anelise Zanoni, que participou da elaboração do material.

Segundo Zanoni, o guia surgiu a partir da percepção recorrente de que muitas mulheres desejam viajar sozinhas, mas ainda enfrentam barreiras relacionadas à segurança e à falta de informação.

“Além de reunir experiências, o guia apresenta uma pesquisa inédita que ajuda a compreender melhor esse cenário e contribui para qualificar o debate sobre mobilidade feminina no turismo”, afirmou.

Iniciativas de proteção no turismo

O guia também dialoga com outras iniciativas federais voltadas à proteção no setor turístico, como:

Movimento Turismo que Protege

Código de Conduta Brasil (voltado ao combate à exploração sexual de crianças e adolescentes)

Protocolo Não é Não, que estabelece medidas de proteção a mulheres em ambientes de entretenimento com venda de bebidas alcoólicas.

De acordo com o Ministério do Turismo, essas ações reforçam que a responsabilidade pela segurança no turismo deve ser compartilhada por toda a cadeia do setor, e não apenas pelas viajantes.    Parceiro;

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