A outra face do Cartão-Postal: lixo, mato alto e cobras assustam moradores em bairros de Pirenópolis

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Pirenópolis é mundialmente reconhecida pelo seu exuberante patrimônio histórico, casarios coloniais bem preservados e turismo pujante. No entanto, basta se afastar poucos metros do Centro Histórico para encontrar uma realidade contrastante, marcada pelo abandono e pelo medo. Moradores de bairros periféricos e de setores adjacentes à região central vêm denunciando o avanço de problemas urbanos graves: o acúmulo de mato alto, a proliferação de lixões clandestinos e o consequente aparecimento de animais peçonhentos — incluindo cobras —, que colocam famílias inteiras em risco. 
As queixas têm se tornado recorrentes em canais comunitários e redes sociais da cidade. Relatos recentes apontam que terrenos baldios e áreas verdes, que deveriam servir de preservação ou lazer, foram transformados em pontos de descarte irregular de resíduos sólidos e entulhos de construção. O cenário gera um forte mau cheiro constante e atrai pragas urbanas. Esse local mostrado na imagem, fica bem próximo ao portal de entrada da cidade.
O Medo Mora ao Lado
A principal preocupação da vizinhança é a segurança física de quem transita pelas ruas afetadas, especialmente crianças e idosos. Com o mato alto encobrindo calçadas e terrenos sem manutenção, cobras e escorpiões começaram a invadir as residências. 
“A gente não tem mais sossego para deixar os filhos brincarem no quintal ou na porta de casa. O lixo acumulado traz bicho e o mato esconde o perigo. Semana passada apareceu uma cobra perto do portão. Alguém precisa tomar providências antes que aconteça uma tragédia”, desabafa um morador próximno ao local afetado, que preferiu não se identificar.

Além do perigo imediato dos ataques de animais peçonhentos, a comunidade destaca o impacto na saúde pública. O descarte irregular de lixo e a água acumulada nesses locais servem como criadouros para o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya — um problema sério enfrentado de forma crônica no município. Há também o temor de que os resíduos poluam os cursos d’água locais, como o Rio das Almas e o Córrego Góis, durante os períodos de chuva. 
Turismo Versus Realidade Local
De acordo com analistas comunitários e lideranças locais, o rápido crescimento populacional e o boom do turismo em Pirenópolis têm sobrecarregado a infraestrutura urbana. Enquanto as vias principais e os pontos turísticos recebem atenção constante para manter a estética do cartão-postal, a periferia sofre com falhas na regularidade de serviços básicos, como a coleta de lixo e a fiscalização de lotes sujos. 
O desafio latente apontado pelos moradores é conciliar o desenvolvimento da atividade turística com a manutenção mínima da qualidade de vida de quem reside na cidade durante todo o ano. 
O que diz a Legislação e o Poder Público?
O Código de Posturas de Pirenópolis prevê que donos de lotes e terrenos particulares são obrigados a mantê-los limpos, roçados e cercados, sob pena de notificação e multas severas. A Prefeitura tem intensificado campanhas pontuais de limpeza urbana e combate a focos de doenças em parceria com as secretarias de saúde, mas a comunidade cobra uma fiscalização mais incisiva e uma atuação permanente dos órgãos de controle urbano. 
Para denúncias de lotes em estado de abandono ou descarte ilegal de resíduos, a população pode acionar o setor de Fiscalização e Postura do Município diretamente através do WhatsApp: (62) 99416-1269.
Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano não havia emitido um cronograma específico para o mutirão de roçagem nos bairros citados na denúncia. O espaço segue aberto para manifestações oficiais da administração municipal.

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