Mulheres comandam 15% das propriedades rurais em Goiás

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A mulher rural goiana comanda, de acordo com a Radiografia do Agro em Goiás, produzido pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), apenas 15% das propriedades rurais do Estado. Apesar disso, segundo o presidente da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, o cenário é positivo e demonstra crescimento em relação aos anos anteriores. “O estudo demonstra que é cada vez maior a presença das mulheres na gestão das propriedades. Isso reforça os resultados positivos que o campo tem colhido”, avaliou.

Ainda assim, o cenário é de progresso. Advogada especialista em direito agrário, a presidente de honra da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) e coordenadora do Gabinete de Políticas Sociais (GPS), primeira-dama Gracinha Caiado, defendeu o avanço e o protagonismo feminino no campo. “Eu acredito na força, na determinação e no trabalho da mulher goiana”, afirmou durante a live “O Agro é de Todas”, ontem, sexta-feira (12), promovida pela Seapa. “Nossa luta pela igualdade não se restringe ao 8 de março”, defendeu.

Durante o evento, a primeira-dama também enfatizou a importância do Agronegócio para o país. “A vida no campo sempre me encantou. Entendo perfeitamente que é ali, na terra, que brota o sustento de milhares de brasileiros. É ali que brota a comida que chega à mesa dos 210 milhões de brasileiros. É ali que brota o futuro de nossa nação, pois vocês bem sabem que os constantes recordes da agropecuária brasileira estão garantindo o PIB do Brasil.”

Os programas do Governo de Goiás para beneficiar o produtor rural também foram lembrados. “Por meio do Agro é Social, entregamos mais de 2 toneladas de sementes de feijão e milho para pequenos produtores”, destacou Gracinha. Outro projeto citado foi o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que leva frutas e legumes comprados de pequenos agricultores a pessoas em situação de vulnerabilidade. “Quase metade de todos os selecionados (48%) são de pequenas agricultoras”, celebrou a presidente de honra da OVG.

Além de advogada especialista em Direito Agrário, a primeira-dama cresceu dentro de uma propriedade rural e, na década de 1980, após a morte do pai, militou na União Democrática Ruralista (UDR), onde conheceu o governador Ronaldo Caiado. “Tenho a sensação de que aquela luta que começamos lá nos anos de 1980 valeu a pena”, afirmou. Assim como outras mulheres, a coordenadora do Gabinete de Políticas Sociais, também enfrentou desafios, principalmente, quando decidiu ir a uma reunião da UDR na Bahia, onde morava com a família. “Minha mãe me falou que não poderia ir porque só iria ter homem e até ameaça de bomba tinha no local. Era um risco defender o agronegócio àquela época”, relembrando a luta da entidade em defesa da propriedade privada.

Risco que tem sido desafiado por agricultoras rurais goianas. No Agro é de Todas elas tiveram voz e partilharam um pouco da experiência e das dificuldades no campo. Um exemplo é a produtora rural Cristiane Steinmetz, que após a morte do pai, assumiu ao lado da mãe e da irmã, a fazenda. Hoje, elas produzem soja e milho safrinha em mil hectares de terra. “Eu sempre digo: mulheres acreditem em vocês e não deixem ninguém te convencer do contrário”, afirmou. Para finalizar a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares de Pirenópolis (STRAAF), Fernanda de Pina Pereira, ressalta que na maioria das propriedades rurais que se encaixam no módulo da agricultura familiar, a presença das mulheres é muito marcante. “Um dos motivos é que a mão de obra familiar é alicerçada, principalmente pelo trabalho do homem e da mulher. Isso mantém os dois na propriedade de forma que a mulher se torna peça fundamental não só no trabalho diário, mas no estímulo à permanência da família com os vínculos rurais, incentivo a sucessão familiar, cuidado com os filhos, com a terra e com os animais. Dessa forma, podemos entender que, acima de qualquer outra função, a mulher na agricultura familiar tem um grande papel social tanto na família como na comunidade”, enfatiza. *Com informações de Diário de Goiás.

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